terça-feira, 31 de dezembro de 2013




                               A PULGA

Entusiasmada com a revelação que lhe fora feita por um médium, a senhora comentou:

– Chico, recebi uma notícia maravilhosa!
– O que foi, minha irmã?
– Minha identidade nos tempos apostólicos!
– Beleza!
– Fui mártir. Estive no Circo Romano. Morri devorada por um leão!
Ante a admiração do médium, perguntou:
– E você, Chico, já sabe quem foi?
– Ah! minha irmã, sei sim…
– E daí? Estou curiosa…
– Fui a pulga do leão.



***
O episódio, que nos fala da humildade e do bom-humor de Chico, remete-nos a uma curiosa tendência, relativa às famosas revelações.

Geralmente, o iluminado foi rei, rainha, estadista, cientista, artista famoso…
Sempre alguém importante, que se destacou em determinado setor de atividade.
Não se ouve falar de lixeiro, operário, camponês, homem do povo…
Detalhe relevante, nesse assunto, amigo leitor:
Considerando que os que se destacam na política, nas artes, na religião, constituem minoria, certamente há algo de equivocado nessas revelações que privilegiam todos os consulentes.
A experiência demonstra que são produzidas por médiuns ou Espíritos espertos, interessados em incensar a vaidade das pessoas, a fim de conquistar sua confiança e admiração.
Raros não sentem inflar o ego ante a informação de que foram figuras destacadas, em pretéritas existências.
Daí sua disposição em oferecer créditos de cega confiabilidade em favor desses “reveladores”.



***
Não é prudente, portanto, nem conveniente, estarmos devassando o passado, à procura de títulos e honrarias.

Destaque-se que a simples estima por notícias dessa natureza é um atestado negativo.
Os Espíritos esclarecidos, que realmente ofereceram contribuições marcantes, aqueles que deixaram a Terra melhor do que a encontraram, não se interessam por glórias do passado.
Importa-lhes as realizações do presente, dando o melhor de si mesmos em favor do progresso e do bem-estar da Humanidade.



***
Mesmo sem procurar por revelações, podemos ter uma idéia do que fomos, analisando nossas tendências, nossa maneira de ser.

Mas, é preciso cuidado para não interpretar de forma equivocada os sinais.
Alguns exemplos:

• Gostar de roupas elegantes e caras.

Suposição: dama da realeza.
Realidade: costureira de modista.

• Apreciar finas iguarias.

Suposição: rico e refinado gourmet.
Realidade: cozinheiro.

• Estimar a solidão.

Suposição: filósofo.
Realidade: longo e solitário estágio no Umbral.

• Apreciar viagens.

Suposição: desbravador de terras novas.
Realidade: caixeiro-viajante.

• Amor à primeira vista.

Suposição: reencontro com alma gêmea.
Realidade: paixão delirante.

Mais interessante deixar o terreno das suposições e encarar a realidade.

Se Chico dizia-se a pulga do leão, é bem provável que tenhamos sido um Dipylidium caninum, o verme da pulga.



Livro Rindo e Refletindo com Chico Xavier

sábado, 28 de dezembro de 2013


          Para um casar saudável 


Para a Doutrina Espírita, o casamento representa uma evolução da sociedade. Com ele, consegue-se sair de ligações afetivas precárias para uniões mais profundas. 

Aprende-se a diminuir o ego e a construir a noção de coletividade. 

Não são mais eu e as minhas coisas, agora se fala de nós e das nossas coisas. 

Certamente, a diminuição do egoísmo não se dá apenas pela via do casório. Este, porém, apresenta-se como importante ferramenta na construção do amor universal.  


O Espiritismo, no entanto, assim como faz em tudo, coloca como o fundamental para o matrimônio a Lei de Amor.

 As festas, os rituais e os papéis são vistos como fenômenos secundários, ligados muito mais às necessidades psicológicas da infância humana do que à essência do casar. 

Esta, na verdade, se vincula à observância do amor em suas variadas expressões. Sem o verdadeiro amor, tudo mais se torna efêmero. 

Neste sentido, gostaria de relacionar quatro facetas do amor - já que este sentimento é algo tão etéreo e abrangente - que, na nossa limitada visão, são necessárias a um bom encaminhamento de um casamento. 

Respeito.

 O primeiro passo para se aprender a amar é respeitar.

 Tudo sem respeito pode ser qualquer coisa, menos amor. 
O amor pressupõe respeito. São, na verdade, indissociáveis. Por isto, Jesus falou que a maior de todas as leis era o amor no seu tríplice aspecto – a Deus, ao próximo e a si mesmo -, e, em outra feita, colocou o princípio da justiça e do respeito – fazer a outrem aquilo que se gosta de receber - como o resumo das leis e dos profetas.  

Doação. Obviamente, todos necessitamos amar e ser amado, como bem explica O Livro dos Espíritos.

 Contudo, a necessidade de ser amado não deve ser entendida como uma validação da cobrança afetiva. Se só houver cobradores, quem sobrará para doar?

 Importa, portanto, relembrar sempre da mensagem de Francisco de Assis – dar mais do que receber.

 Fazendo este movimento franciscano, sente-se plenamente amado, não só porque o ato deixa suas marcas naquele que executa, mas igualmente porque, fruto da doação geral, o ar se enche deste sentimento divino. 

Receber amor, assim, passa a ser uma consequência natural do amar.  

Adaptação.

 Cada indivíduo ao se juntar em matrimônio traz consigo para o novo lar um pouco da sua história – educações, hábitos, momentos.

 Para haver, desse modo, um encaixe harmônico é imprescindível que os cônjuges não queiram fazer da nova casa uma cópia perfeita do que tiveram no passado, ou uma concretização exclusiva de seus desejos.

 Neste sentido, analisando a questão, o professor Rodolfo Calligaris, em seu Vida em família, fala da importância desta adaptação para a construção de um casamento saudável.  

União

Como consequência do exposto, chega-se na união. Esta, porém, deve ser feita primordialmente na esfera dos ideais. 

Não se trata de uma fusão de um nova criatura com um pensar único. 

Antes, de uma aliança de pensamentos entre duas pessoas em prol de uma coletividade chamada família – e, no futuro, destas em nome do coletivo universal.

 Não se deve querer, ingênua e morbidamente, formar uma novo eu, mas um novo nós

Dessa maneira, com respeito, doação, adaptação e união, o amor será construído em bases sólidas.

 Importa, entretanto, como recomendou Emmanuel, que este edifício seja construído todos os dias pelos consortes para que o matrimônio saia da esfera burocrática e adentre na comunhão espiritual.     

  
LEONARDO MACHADO
                             Plantando vento e colhendo tempestade

Virtude pode ser considerada como sendo um conjunto de qualidades sublimadas que somente Deus possui na sua totalidade absoluta.

Na realidade é a sublime essência do bem que se emprega na prática incondicional do amor.
Essa afirmativa é tão evidente e ganhou uma conotação transcendental.

Paulo de Tarso (São Paulo), considerado o maior e mais importante divulgador do Cristianismo nascente, em uma das primeiras cartas (epístolas) escritas para a igreja de Corinto, chegou a proclamar que os homens (seres humanos) falam com Deus, e Ele lhes responde na mesma intensidade, através das virtudes teologais que estão distribuídas na fé inabalável, aquela que encara a razão face a face em todas as épocas de Humanidade;

 na caridade, que se traduz em benevolência para com todos, indulgência para com a culpa do irmão, perdão das ofensas; 

e na esperança, que é a morada dos nossos sonhos.

Quem não sonha vegeta.

Diante da magnitude expressiva desse sentimento, tem-se que ter o cuidado para não tingi-lo com as sombras da ignorância, transformando atos indecorosos e horripilantes em virtude radicalizada.

Existem, lamentavelmente, pais que adoram repreender os filhos. 

Muitos desses, no afã de incutir neles o rigor na masculinidade, dizem:
 «Se você apanhar na rua, quando chegar a casa vai apanhar novamente».

 Como se fosse virtude usar da violência, ou vingança, para demonstrar superioridade.

Esse tipo de aconselhamento, que ainda jornadeia pelos vales tenebrosos da ignorância humana, facilita e incentiva essas barbaridades que estão imperando na sociedade, tangidas pela truculência.

 Eles estão, com certeza, plantando vento e a sociedade vai colhendo tempestade.  
Nada é mais emocionante para um pai ou uma mãe de família do que a consideração dispensada pelos seus filhos.

No mundo em que vivemos atualmente, a família vem sofrendo investidas imorais e avassaladoras das mais variadas maneiras.

Os esteios da família – papai e mamãe – têm nobilíssimas obrigações e, em última instância, os deveres de educar seus filhos com exemplos dignificantes.

Tem sido publicamente observado que essas condicionantes estão sendo substituídas pela função de provedores de bens materiais, e expectadores no desenvolvimento moral insatisfatório de suas proles.

Essa inversão de valores paternais, como consequências filiais, está aplicada abertamente sob alegação de que ser moderno é ser liberal.

 Na convivência familiar onde não há limites na infância e na juventude, a liberdade excessiva poderá transformar-se em libertinagem.
 A exceção torna-se regra.

É estranho, mas é verdade. Hoje, ser honesto e cumpridor dos seus deveres causa admirações, e, em muitos casos, perplexidades.

Fica uma pergunta: Para onde vai a humanidade?

 Ninguém sabe. Somente uma certeza.

 Para minimizar os defeitos educacionais reinantes que causam variadas anomalias sociais, somente será possível com:

- o retorno dos pais para a casa de morada, transformando-a em lar, para a convivência salutar e fraterna com seus rebentos;
- a utilização da creche como estada temporária;

- as escolas, como estabelecimento de ensino para instrução moral e cívica;

- e a Psicologia como meio auxiliar para orientação do comportamento das crianças.

Fora dessas exigências imperativas, a humanidade vai continuar desregrada, a sociedade refém dos marginais, a família atormentada, as pessoas desesperadas, as cadeias superlotadas e os cemitérios abarrotados.

PEDRO DE ALMEIDA 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

                             

                        Buscar o melhor, aproveitar o tempo 


No estudo em grupo do livro Obreiros da Vida Eterna, de autoria do Espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier, fomos  alertados pelas palavras do orientador Jerônimo e 


desejamos partilhar o estudo com os nossos queridos leitores.
No capítulo II, denominado “Santuário da Bênção”, é-nos trazido precioso ensinamento, quando trata dos frequentadores da instituição por ele dirigida:

 “Procura-se então o Santuário, sem qualquer preparação intima. Nossos amigos prosseguem repetindo o cenário da Crosta, em que os devotos procuram os templos, como os negociantes buscam mercados”.    

 Diante de observações tão claras e sérias, achamos importante que nós, os encarnados, atentemos para o fato de que as criaturas viventes, quase num todo, também procuram as instituições religiosas na busca apenas de encontrar soluções para  os seus problemas ligados a  interesses pessoais,  dificuldades de ordem material ou simplesmente para cumprirem com uma obrigação de fundo místico e religioso.

Uma vez presumindo haver resolvido seus problemas, voltam-se ao cotidiano, na continuação da mesma vivência anterior, sem nenhuma preocupação com os ensinamentos mais profundos recebidos.

Raros são os que despertam para o verdadeiro sentido do existir.

São criaturas ainda envolvidas com as facilidades materiais que a vida  proporciona aos incautos que permanecem sedentos da satisfação proporcionada pelos prazeres instintivos ligados exclusivamente ao mundo material.

É importante verificarmos que muitos espíritas também assim procedem. 

Admiram as palestras, adoram os bons palestrantes;  retiram-se da Casa Espírita, felizes e convencidos de que cumpriram com o seu papel de bons Espíritas.

Não se preocupam, no entanto, em se esforçarem na tomada de  uma posição  para as mudanças necessárias ao bom aproveitamento da existência terrena. 

Procedem como muitos dos profitentes de qualquer outro credo religioso. Não assumem responsabilidade com o trabalho educativo voltado para a conscientização da prática do bem e do amor ao próximo, como aprendemos com Jesus.

Agem diferentemente do cego de Jericó. Este, que andava pelas estradas e aldeias suplicando o necessário, para viver, buscava também solução para os seus problemas de ordem material.

No entanto, quando teve notícias de Jesus; 
quando soube dos prodígios que realizava; 
de Suas curas, não só das doenças do corpo, mas também as da alma, como aconteceu com Maria Madalena, a mulher equivocada;
 Zaqueu, o publicano; 
Levi, o cobrador de impostos, entre  muitos outros. 

Diante dos seus ensinamentos e atitudes que a todos encantava, por seu amor à humanidade sofredora, não teve dúvidas em buscá-lo.

Quando teve conhecimento que Jesus caminhava em sua direção, mesmo sem vê-Lo, não teve dúvidas e gritou: “Jesus, Filho de David, tem compaixão de mim”. 

Muitos da  multidão que o acompanhava, julgando que ele estivesse perturbando o ambiente com seus gritos, tentaram impedir que continuasse clamando, mas, cheio de  confiança, gritava mais alto: “Jesus, Filho de David, tem compaixão de mim”.

Jesus, ouvindo o seu pedido, aproximou-se, repreendeu os que o impediam que se aproximasse e perguntou: 
“Que queres que te faça?” e ele, rapidamente, sem titubear, lançou longe a capa que portava e respondeu:

 “Que eu veja Senhor!”.

 Só desejava o que presumia ser o mais importante para sua vida: a visão. Ele queria ver para ser independente. 

Ganhar o pão com o seu trabalho, ser digno e renovar sua vida.

 Passou a seguir Jesus. Estava renovado espiritualmente. Ao influxo  dos ensinamentos do Mestre, compreendeu o porquê da Vida e não mais deixou de O acompanhar.

Esta é a parte mais interessante da história de Bartimeu. Cheio de reconhecimento pelo benefício recebido, transformou sua Vida. Tornou-se um homem renovado.

O exemplo de Bartimeu é muito importante para todos. 

Aprendemos com ele que é preciso nos despojarmos da capa dos velhos costumes,  hábitos, procedimentos, pensamentos e sentimentos deteriorados que trazemos de muito longe. Renovação e mudanças são as palavras de ordem.

Quantos de nós, que recebemos dádivas, favores, esclarecimentos e orientações doutrinárias a respeito de nossos novos deveres, com o conhecimento das lições do Espiritismo, não notamos que, por tais verdades nos elucidarem, nossa responsabilidade fica mais comprometida, pois agora sabemos por que nascemos e quais os objetivos de existirmos  na Terra.

Não harmoniza com a nova doutrina o indiferentismo às mudanças necessárias para daqui em frente, a exemplo de Bartimeu, buscarmos aproveitar o tempo perdido, pois, segundo Emmanuel, sempre é tempo de começar, mas é importante começarmos ainda hoje.


 

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

REFLEXÕES SOBRE A VIDA A DOIS!!

  

A vida a dois merece muitas reflexões, nas horas de nosso precioso tempo olhando o azul do céu e filosofando na vida.

 Na verdade, merecia um curso. 

Fazemos cursos de tantas coisas, mas não realizamos cursos para refletir e analisar a importância e as questões envolvidas em se viver com outra pessoa e dali constituir uma família.

 Sobre esse tema nos debruçaremos nesse texto em algumas reflexões, de forma encadeada.


A primeira questão é a pessoa com quem dividiremos a nossa caminhada.

 Deve ser mais igual ou mais diferente do que nós? O diferente complementa e o igual une...

 Penso que os dois aspectos são importantes, mas que devemos buscar o que temos de mais igual.

 Não nos aspectos do gosto e das vontades, que são da superfície

Devemos buscar a afinidade em fatores mais profundos, como os princípios e valores. 

Esses precisam se encontrar várias vezes na caminhada da vida a dois.

Outro ponto interessante é o respeito à individualidade. Termos nosso espaço é necessário! 

Não podemos nos sentir sufocados... 

Mas essa visão de respeito à individualidade por vezes se confunde com culto ao individualismo. 

Loteamos horários e espaços, achamos que respeitar o outro é ter o dia do futebol e o dia do chá com as amigas.

 É mais do que isso! 

É entender os projetos do outro, as visões, e fazer com que o espaço coletivo tenha espaço para cada um, inclusive os filhos.

Não podemos deixar de falar da rotina... 

A rotina é boa, pois as surpresas podem ser desagradáveis.

 A rotina nos encaminha à reclamação sistemática, às frustrações que são comuns à vida, oriundas da nossa vontade de controlar o mundo. 

É preciso lidar com as frustrações, convivendo com a alegria do possível e a luta pelo impossível.

Da reclamação deve surgir o diálogo resolutivo. 

As frustrações nos fazem lembrar que não se pode ter tudo na vida, independente se a vida é a dois ou não, e que existem conquistas individuais e coletivas.

A rotina não pode ser culpada da nossa ausência de capacidade de enxergar que cada dia é um dia novo, com desafios e oportunidades. 

Os desafios, essa é uma reflexão muito interessante. 

Não nos preparamos para a vida a dois. 

Pensamos apenas nos momentos idílicos ou nos assustamos de forma maniqueísta com a possibilidade do casamento. 

A vida tem desafios – a subsistência, a doença, a desencarnação, as ilusões – e os desafios demandam maturidade, coragem e solidariedade. 

Existirão dias de prosperidade, mas também dias de luta. Perceber isso é um grande sinal de maturidade.

Remete-nos essa questão que a vida a dois nos faz protagonistas, deixamos de ser adolescentes e somos agora adultos responsáveis – respondemos pela nossa vida. 

Precisamos romper os liames com os nossos pais, seguir adiante, mantendo a boa relação sem dependência.

 Está aí mais um segredo da vida a dois! 

Ter uma vida a dois é ter o desejo de construir uma relação. 

É mais do que consumir em outro nível. 

É dar de si, abrir mão em torno de um novo instituto que receberá em breve novos Espíritos, dando prosseguimento ao ciclo da vida.

E às vezes é do ciclo da vida as relações terminarem. Esse processo nos demanda civilidade, respeito e, acima de tudo, uma postura cristã.

 Se separar é uma arte quase tão sublime quanto se unir.

 O respeito, o cuidado com as crianças, o atendimento aos compromissos materiais assumidos e o clima de paz devem ser situações observadas, onde a religião nos auxilia nesse processo.

Por fim, na nossa reflexão de ideias encadeadas, podemos asseverar que uma vida a dois saudável não prescinde de uma religião. 

A religião é que nos permite trabalhar a espiritualidade, nos relacionar com outros planos da vida sem esquecer a vida no Planeta Terra.

 A religião nos brinda com a profundidade dos valores e os alicerces da fé nos sustentam nos momentos difíceis, naturais da vida a dois.

Refletir sobre a vida a dois, o que ela significa, é caminho de amadurecimento. 

Mais do que festas, cerimônias, imóveis e móveis, a decisão de trilhar caminhos conjuntos traz consequências para a nossa encarnação atual e para as futuras. 

Consequências felizes, mas por vezes desastrosas.

 


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

                                    O dom da vida e a lei de
                                           causa e efeito


Quando Deus cria um Espírito, outorga-lhe os dons da vida e da liberdade, bem como o livre-arbítrio. 


 Para administrá-los, mune-o de inteligência. 

O dom da vida é inalienável. Somente o Pai tem poderes para interferir nele

 Qualquer outro ser não detém esse direito, a não ser, no caso de abortamento (“aborto”), quando ficar sobejamente comprovada, pela Ciência Médica, que a continuidade da gestação trará risco de morte para a gestante.

 Fora dessa condicionante criada pelos seres humanos, não há, absolutamente, quaisquer explicações que justifiquem a prática desse crime doloroso, traiçoeiro, hediondo.  

As divinas e cristãs orientações trazidas pela Filosofia Espiritista, ensinada pela Doutrina Espírita e praticada sob as luzes do Espiritismo, fundamentadas na prática da caridade sem ostentação, têm como epicentro o amor incondicional ao próximo.  

Para o reencarnante, a maneira como for gerado seu corpo físico é de somenos importância.

Para Deus é mais um filho (a) que vem como estrela cadente viajando inocente à procura de um lar para ser amado(a), educado(a) e instruído(a).  

A infeliz mãe que privar seu filho do direito de nascer, crescer, reproduzir, evoluir, moral e espiritualmente, desce ao mais baixo nível da degradação humana praticando uma atitude nefasta, comprometendo-se inapelavelmente com as leis regeneradoras do Código Divino.             
Quando uma pessoa toma o primeiro contato com o Espiritismo através de uma atividade espírita, no Centro Espírita, poderá sair:

 decepcionada, satisfeita, vislumbrada e até feliz, julgando que encontrou o caminho certo para suprir as necessidades materiais, psicológicas ou espirituais.  

Ledo engano.

 Uma instituição espírita que se preze não direciona suas atividades no sentido de resolver problemas. 

Nesse sentido, seu papel é orientar, direcionar, incentivar e aumentar a autoestima do indivíduo para lutar contra as adversidades que, com certeza, não foram criadas por Deus e, sim, pelas atitudes egoístas dos seres humanos.  

Nesse raciocínio, sua finalidade precípua não é somente enxugar lágrimas ou minimizar dores e sofrimentos, mas proporcionar informações e conhecimentos úteis e relevantes que possam ajudar o indivíduo a erradicar as causas que façam verter lágrimas e propiciar dores e sofrimentos.  

Neste particular é importante que se conheçam os fundamentos da Doutrina Espírita que se baseiam na Ciência que prova fatos;

 na Filosofia que estuda os primeiros princípios e os últimos fins das causas e das coisas (Lei de Causa e Efeito; Ação e Reação); e na Religião que liga, individualmente, a criatura ao Criador, pela fé inabalável em Deus, em Jesus

 – o Cristo e Seus Prepostos –, impulsionada pela prática da caridade e na presunção da esperança de que amanhã será sempre um dia melhor. 

Essas condicionantes imperativas respaldam a conclusão de que tudo na vida de uma pessoa está diretamente proporcional à conduta do indivíduo (Espírito).
Nada acontece por acaso. Tudo tem uma razão de ser, como afirma o adágio: “no mundo existem muitas injustiças, porém ninguém vive injustiçado”; e, como ensinou o Cristo: 

“A cada um será dado conforme a sua obra”.

Nos postulados espíritas vislumbra-se a certeza absoluta, inequívoca e inquestionável de que Deus jamais desamparará Seu filho ao ponto de deixá-lo sofrer sem ter uma causa que justificasse esse sofrimento.

 Afinal de contas, não há efeito sem causa.   


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

             Matemos a fome das crianças famintas, e não a elas próprias   

Alguns defendem a descriminalização do aborto, dizendo que é melhor não deixar a criança nascer do que ela nascer e morrer de fome.

 Esse argumento é equivalente ao do médico que, tratando de um doente incurável, tomasse a decisão de matá-lo de vez!

O aborto é uma morte certa da criança, mas sua morte por fome é incerta. Ela morreria mesmo de fome?

Quem pensa assim, admite ou finge que admite que a miséria e a injustiça social jamais terão fim neste mundo, e que a vitória do bem sobre o mal é uma utopia.

É, pois, de fato, um equívoco alguém justificar, moralmente, o aborto, apelando para essas ideias fantasiosas e pessimistas de que criança nascida morrerá de fome.

 A Doutrina Espírita ensina que a Terra é um mundo de provas e expiações, mas que ele vai entrar na fase de regeneração, o que já está começando a acontecer aqui e acolá, isto é, entre algumas pessoas:

 Teresa de Calcutá, irmã Dulce, Chico Xavier, Bezerra de Menezes, Eurípedes Barsanulfo, Gandhi, pastor Luther King e milhões de anônimos por esse mundo afora. Aliás, na História da Humanidade, sempre nós tivemos exemplos dessas almas de escol:

 São Francisco de Assis, São Vicente de Paulo e outros.

As pessoas que são a favor do aborto, não certamente por princípio, ao preferirem assassinar seus rebentos nos ventres maternos, a deixá-los viverem e nascerem, têm as suas consciências embotadas, ou seja, indiferentes às suas faltas morais ou pecados, sendo tudo válido para elas, desde que sejam beneficiadas em seu bem-estar egoísta.

Assim, mesmo sabendo que o aborto é uma transgressão grave das leis naturais ou divinas, o cometem.

A teologia cristã tradicional ensina que o aborto é um exemplo do chamado pecado contra o Espírito Santo, exatamente porque se trata de um pecado contra a lei da natureza.

 Realmente, ele é uma falta contra a voz da consciência do indivíduo, que é a voz do seu
 Eu interior ou do seu Espírito Santo que nele habita.

E com a agravante de que tudo é feito de livre e espontânea vontade, com pleno consentimento, com data e hora marcadas para o aborto, que, sem dúvida, ser-lhes-á mais prejudicial do que para o feto assassinado, pois são muito graves as consequências morais e espirituais para os que o praticam.

 Ele só é moralmente tolerável, quando for um risco de vida para a mãe, o que é admitido pela Igreja e pela Doutrina Espírita.
A eliminação duma vida humana é um assassinato, não importando se ela tenha apenas alguns minutos ou já cem anos de existência.
 E, por ser uma ação premeditada, mesmo que a lei a aprove, tomando emprestado o termo jurídico, ousamos dizer que, moralmente, se trata dum pecado doloso, e, na linguagem da Igreja, um pecado mortal.

 E, como já vimos, é até considerado também como pecado contra o Espírito Santo, pelo que não tem perdão, isto é, tem que ser mesmo pago pelo pecador e até o último centavo. 

Que os que não querem filhos usem, pois, os meios anticonceptivos, mas não o aborto.

Mães e pais grávidos, lutem para que seu filho não venha a morrer de fome, amanhã, e principalmente, para que vocês não sentenciem a pena de morte para ele, a qual é antidivina, antinatural, injusta e covarde, pois ele é um ser humano inocente e indefeso!

José reis chaves -  consolador